O câncer colorretal é o segundo tipo de câncer mais comum no Brasil, de acordo com o Instituto Nacional de Câncer – INCA (sbco.org.br). Apesar da alta incidência, a doença costuma evoluir lentamente e, quando diagnosticada precocemente, tem grande chance de cura. Bom, neste artigo aqui do Fórmula Enfermagem, voltado para profissionais e estudantes de enfermagem, vamos explicar como o exame de sangue oculto nas fezes e a colonoscopia contribuem para o rastreamento e a prevenção do câncer colorretal, quais sinais e sintomas merecem atenção e como hábitos saudáveis reduzem o risco da doença.
O que é o exame de sangue oculto nas fezes?
O exame de pesquisa de sangue oculto nas fezes (PSOF) analisa amostras de fezes para verificar a presença de sangue não visível a olho nu(drderival.com). Na versão imunoquímica, utiliza‑se um anticorpo específico para a hemoglobina humana e não há necessidade de dieta especial. O teste é indicado como opção de rastreamento para pessoas de risco médio (geralmente a partir de 45 anos) que não desejam ou não podem realizar colonoscopia, devendo ser repetido anualmente ou a cada dois anos. Sendo assim, o material deve ser coletado de duas a três evacuações diferentes e refrigerado após duas horas; enquanto medicamentos que aumentam o risco de sangramento (aspirina, AAS, anti‑inflamatórios, anticoagulantes) devem ser suspensos conforme orientação médica.
Entretanto, apesar de ser sensível e mais econômico para sistemas de saúde, o exame tem baixa especificidade. Segundo especialistas, doenças anais, hemorroidas ou úlceras podem causar sangue oculto nas fezes, enquanto nem todo tumor colorretal sangra(oncoguia.org.br). Assim, um resultado positivo indica apenas que há sangramento em algum ponto do trato digestivo, exigindo investigação complementar por colonoscopia. Da mesma forma, resultados negativos não descartam a presença de pólipos ou câncer, pois lesões que ainda não sangram podem não ser detectadas.
Colonoscopia: o padrão‑ouro do rastreamento
A colonoscopia é uma endoscopia em que um colonoscópio, tubo flexível com câmera, é introduzido pelo ânus para visualizar o interior do reto, do cólon e do íleo terminal. O exame dura cerca de 20 minutos, é realizado com sedação e grava imagens de alta definição, além de permitir imprimir registros do procedimento. Sendo assim, a colonoscopia é considerada o melhor exame para detectar e remover pólipos e câncer colorretal. Sendo assim, durante o exame, o médico pode realizar polipectomias (remoção de pólipos) ou tratar lesões sangrantes, dilatar estenoses, colocar stents e até realizar biópsias.
Quando devo fazer a Colonoscopia?
A colonoscopia é recomendada para rastreamento a partir dos 45 anos. Pessoas que ainda não realizaram o exame aos 45 anos, que têm história de pólipos ou câncer colorretal, doenças hereditárias (polipose adenomatosa familiar, síndrome de Lynch) ou doença inflamatória intestinal devem discutir a colonoscopia com seu médico. Se os resultados forem normais, a colonoscopia de rastreamento pode ser repetida a cada 10 anos; quando há pólipos, o intervalo diminui para três a cinco anos. Infelizmente, como o câncer de intestino raramente causa sintomas nos estágios iniciais, a colonoscopia permite identificar lesões antes de se tornarem malignas, aumentando muito as chances de cura.
Sintomas e sinais de alerta
Embora as primeiras fases do câncer colorretal sejam silenciosas, sempre podemos investigar alguns sinais. Diante disso, segundo o Ministério da Saúde, a presença de sangue nas fezes ou alterações na forma das fezes (muito finas ou compridas) podem ser indícios do tumor. Outros sintomas incluem:
- Alternância entre diarreia e prisão de ventre, dor ou desconforto abdominal, fraqueza e anemia, perda de peso sem causa aparente e massa abdominal.
- Presença de pus ou muco nas fezes, sangramento gastrointestinal oculto e anemia ferropriva.
- Alteração inexplicável nos hábitos intestinais (diarreia, constipação ou incontinência), dor abdominal persistente, perda de peso inexplicável ou suspeita de obstrução intestinal.
Entretanto, diante de qualquer um desses sinais, é fundamental procurar atendimento médico para investigação. Vale lembrar que tais sintomas não são específicos do câncer, podendo ocorrer em outras doenças digestivas; portanto, apenas exames adequados podem esclarecer o diagnóstico.
Diferenças entre PSOF e colonoscopia
Para fins de rastreamento, o exame de sangue oculto nas fezes é menos invasivo, mais simples e acessível. Ele pode ser feito em casa, com orientação de um laboratório ou unidade de saúde. Contudo, porque nem todos os tumores ou pólipos sangram (oncoguia.org.br), o PSOF pode não detectar lesões precoces. Além disso, doenças benignas podem causar resultado positivo, o que exige colonoscopia para confirmar a causa. Sendo assim, sociedades médicas recomendam combinar ambos: PSOF anual ou bianual e colonoscopia a cada dez anos como já vimos no começo desse artigo.
Diante disso, a colonoscopia, por outro lado, visualiza toda a mucosa do intestino grosso, permite a remoção imediata de pólipos e coleta de biópsias. Apesar de ser invasiva e exigir preparo intestinal, sedação e acompanhamento, o exame ainda é o padrão‑ouro para rastrear e prevenir o câncer colorretal. Estudos mostram que retirar pólipos antes de se tornarem cancerosos reduz de forma significativa a incidência e a mortalidade por essa neoplasia.
Fatores de risco para o câncer colorretal
Conhecer os fatores de risco ajuda os profissionais de enfermagem a orientar a população sobre quem deve iniciar o rastreamento mais cedo. Os principais fatores incluem:
- Idade: o risco aumenta após os 45 anos.
- Histórico familiar de câncer colorretal ou pólipos, especialmente em parentes de primeiro grau.
- Síndromes hereditárias como a polipose adenomatosa familiar (PAF) ou a síndrome de Lynch.
- Doença inflamatória intestinal, como doença de Crohn ou retocolite ulcerativa.
- Hábitos de vida: dieta pobre em fibras e rica em alimentos processados ou carnes vermelhas, obesidade, sedentarismo, tabagismo e consumo elevado de álcool.
Medidas de prevenção e promoção da saúde intestinal
Embora não exista um método que garanta 100 % de prevenção, adotar hábitos saudáveis pode reduzir substancialmente o risco de desenvolver câncer colorretal. Entre as principais recomendações estão:
- Adotar uma alimentação rica em fibras, frutas, vegetais e grãos integrais e limitar o consumo de carnes processadas e gorduras saturadas.
- Manter o peso adequado e praticar atividade física regularmente.
- Não fumar e limitar o consumo de álcool, pois o tabagismo e o álcool são fatores de risco para vários tipos de câncer.
- Realizar exames de rastreamento conforme a recomendação do médico ou serviço de saúde. A população de risco médio, deve fazer o PSOF todo ano ou a cada dois anos, e a colonoscopia, a cada dez anos.
- Estar atento aos sinais e sintomas descritos e procurar avaliação médica imediatamente se surgirem alterações persistentes.
Profissionais de enfermagem desempenham papel central na educação em saúde, orientando sobre a importância do rastreamento, esclarecendo dúvidas sobre preparo e acompanhamento de colonoscopia e incentivando mudanças de estilo de vida. Ao promover esses cuidados, contribuem para reduzir a incidência e a mortalidade por câncer colorretal na comunidade.
Autoavaliação de Risco para Câncer Colorretal
Autoavaliação de Risco para Câncer Colorretal
Referências Para o nosso Artigo:
- Instituto Nacional do Câncer (INCA) – dados epidemiológicos sobre a incidência do câncer colorretal no Brasil.
- Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO) – “Como prevenir o câncer colorretal”; explica fatores de risco, sinais e medidas de prevenção.
- Dr. Derival Afonso – Colonoscopia, Coloproctologia, Endoscopia – páginas informativas sobre o exame de pesquisa de sangue oculto nas fezes (PSOF) e sobre colonoscopia; fornecem definições, indicações, preparação e riscos.
- Dr. Derival Afonso – Colonoscopia – seção detalhada sobre a realização, finalidade e vantagens da colonoscopia na detecção e remoção de pólipos e câncer colorretal.
- Instituto Oncoguia – artigo “Câncer colorretal: o início do rastreio deve ser aos 45 ou 50 anos?”; discute diretrizes de rastreamento, vantagens e limitações do exame de sangue oculto nas fezes e da colonoscopia.













